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A Polícia Federal enfrenta uma semana turbulenta em duas frentes. Após três dias de assembleia, os policiais federais aprovaram “estado de greve” — etapa anterior à paralisação total — e podem interromper investigações, operações e serviços à população já na próxima semana. A categoria cobra reajuste salarial e reclama que acumulou novas obrigações sem contrapartida, como o registro de CACs (colecionadores, atiradores e caçadores), função que antes era do Exército. Agentes, escrivães, delegados, peritos e até policiais do administrativo aderiram ao movimento.
Enquanto isso, a CPMI do INSS corre contra o tempo para votar seu relatório final até este sábado (28). O documento, com 4.400 páginas, propõe o indiciamento de mais de 200 pessoas por envolvimento em um esquema bilionário de descontos irregulares em aposentadorias e pensões. Entre os citados estão Fábio Luís Lula da Silva, o “Lulinha”, filho do presidente; os ex-ministros Carlos Lupi (Previdência, governo Lula) e José Carlos Oliveira (Trabalho, governo Bolsonaro); parlamentares como o senador Weverton Rocha (PDT-MA); e banqueiros como Daniel Vorcaro, do Banco Master.
A comissão investigou durante seis meses um esquema em que entidades associativas descontavam valores de benefícios do INSS sem autorização dos aposentados e pensionistas. O operador central do esquema, segundo as investigações, é Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. O relatório aponta que servidores do INSS, dirigentes de entidades e executivos de bancos teriam facilitado as fraudes.
O STF, porém, derrubou a prorrogação da CPMI por 8 votos a 2. Os ministros entenderam que a extensão do prazo deveria seguir regras do Congresso, não decisão judicial. Durante o julgamento, houve críticas à conduta da comissão, como quebras de sigilo aprovadas em bloco e vazamento de informações sigilosas. O ministro Flávio Dino defendeu que as investigações continuem sob responsabilidade da Polícia Federal, da PGR e do próprio STF.
A sessão de leitura do relatório foi marcada por bate-boca entre parlamentares governistas e da oposição, com troca de xingamentos e pedidos de retirada de deputados. Se o relatório for aprovado, os pedidos de indiciamento serão enviados ao Ministério Público, que decidirá se apresenta denúncias formais.
Já os policiais federais aguardam resposta do governo sobre reajuste salarial e criação do Funcoc (Fundo de Combate às Organizações Criminosas), prometido pelo ex-ministro Lewandowski, mas que nunca saiu do papel. Sem acordo, a categoria pode iniciar paralisações que afetariam desde emissão de passaportes até investigações de crimes federais em todo o país.
(Fontes: Portais: Folha de SP, G1/ Blogs: Jorge Aragão, Marrapá).