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O governo federal relançou em maio o Novo Desenrola Brasil, conhecido como Desenrola 2.0, para tentar reduzir o número recorde de brasileiros inadimplentes. O programa surge em um momento de pressão econômica e política, já que o país acumula 82,8 milhões de pessoas com dívidas em atraso, número que cresceu em mais de 10 milhões desde o fim da primeira edição.
Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, esse aumento é resultado de um “efeito sanfona”: mesmo após renegociações, fatores como juros altos, desemprego e falta de reajuste salarial empurraram novamente milhões de famílias para a inadimplência. Ele lembra que a pandemia agravou o problema, deixando muitos sem renda e elevando o endividamento.
Especialistas, porém, afirmam que o problema vai além dos juros. A combinação de inflação persistente, custo de vida elevado, crédito caro e falta de educação financeira mantém as famílias vulneráveis. Mesmo com a criação de empregos, os salários não cresceram o suficiente para compensar os gastos básicos, como alimentação e moradia.
Na primeira edição, o programa renegociou R$ 53,2 bilhões em dívidas, beneficiando 14,8 milhões de pessoas com descontos de até 90%. Apesar disso, os indicadores gerais mostraram pouca melhora: o endividamento das famílias continuou subindo e a inadimplência caiu apenas de forma tímida, mostrando que o impacto foi limitado e temporário.
O Desenrola 2.0 amplia o foco para famílias com renda de até cinco salários mínimos e inclui a “desnegativação” de dívidas de até R$ 100. Em balanço inicial, o governo informou que 449 mil dívidas foram quitadas à vista com desconto médio de 85%, além de 685,5 mil dívidas refinanciadas. A expectativa é que a nova fase seja fortalecida por um ciclo de queda nos juros.
Economistas alertam, no entanto, que programas como o Desenrola são paliativos. Para reduzir o endividamento de forma consistente, é preciso investir em educação financeira, aumentar a renda média e reduzir a informalidade. Sem essas mudanças estruturais, o risco é que os brasileiros voltem a se endividar, criando novos ciclos de inadimplência.