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Durante muito tempo, a medicina explicava o AVC apenas como resultado de anos de pressão alta, colesterol elevado e diabetes. Essa visão permanece correta, mas agora os especialistas reconhecem outro componente importante: gatilhos que atuam pouco antes do evento. Na prática, o derrame costuma surgir da soma entre uma fragilidade construída ao longo da vida e um fator desencadeante de curto prazo.
Para ilustrar esse mecanismo, o neurocirurgião Helder Picarelli, do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo, recorre a uma imagem simples. Imagine uma torneira pingando dentro de um copo. Cada pingo representa um fator de risco — hipertensão, açúcar elevado no sangue, cigarro. O recipiente vai enchendo devagar, sem que ninguém perceba. Até que um último pingo faz a água derramar. Esse pingo final é o gatilho.
Entre os desencadeantes mais frequentes estão picos de nervosismo, atividade física intensa feita de repente por quem não tem o hábito, ingestão exagerada de bebida alcoólica, quadros infecciosos como gripe ou Covid-19, temperaturas muito altas e falta de líquidos no corpo. Pesquisas indicam que cerca de quatro em cada dez pessoas que sofreram AVC estiveram expostas a pelo menos um desses fatores nas duas horas anteriores.
Apesar disso, Picarelli faz um alerta: familiares e pacientes costumam atribuir peso excessivo ao gatilho e ignorar o que já vinha acontecendo silenciosamente. Uma briga ou um susto podem ter sido a faísca, mas o terreno já estava preparado por décadas de danos nos vasos sanguíneos. O estresse sozinho raramente derruba alguém com artérias saudáveis.
Proteger-se exige atenção em duas direções. A primeira, e mais importante, é manter sob controle as condições crônicas: verificar a pressão com frequência, cuidar da alimentação, abandonar o cigarro, movimentar o corpo regularmente. A segunda é evitar situações que funcionam como estopim, especialmente para quem já carrega fatores de risco — dormir bem, moderar no álcool, hidratar-se e tratar infecções sem demora fazem diferença.
Reconhecer os sinais de alerta pode salvar vidas. Perda súbita de força em um lado do corpo, dificuldade repentina para falar ou entender, visão que some de uma hora para outra, tontura forte sem explicação e dor de cabeça violenta que surge do nada pedem ação imediata. A orientação dos médicos é clara: qualquer sintoma neurológico que aparece de repente deve ser tratado como emergência — ligue para o SAMU (192) ou vá direto ao hospital, porque cada minuto perdido aumenta o risco de sequelas.
(Fonte: Clinica Lucídio Portella).