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O senador Flávio Bolsonaro (PL) promoveu uma alteração significativa na carta pública divulgada nesta quarta-feira (28) ao retirar o trecho em que se apresentava como “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”, substituindo a expressão por “líder do Brasil” após a repercussão negativa imediata que a autoproclamação provocou tanto no cenário político doméstico quanto na comunidade internacional, em um recuo que atenuou o tom de confronto institucional do documento sem, no entanto, modificar o núcleo argumentativo das demais acusações contidas no texto.
A primeira versão da carta foi tornada pública horas após o desembarque de Flávio, de sua esposa Fernanda Bolsonaro e das duas filhas do casal no aeroporto Opa-locka Executive, em Miami, na Flórida, e nela o senador se dirigia aos brasileiros e à comunidade internacional reivindicando para si o título de presidente eleito — uma condição que, pelos resultados oficiais homologados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), pertence a Luiz Inácio Lula da Silva (PT), vencedor do segundo turno com 51,79% dos votos contra 48,21% do candidato do PL.
Mesmo após a revisão do trecho mais controverso, o documento mantém inalteradas as alegações de fraude eleitoral e as críticas à decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que estendeu o horário de votação em seções eleitorais específicas, além de acusar integrantes do Judiciário de orquestrar uma campanha de perseguição política contra a família Bolsonaro com o objetivo de silenciá-la e impedi-la de exercer atividade política, acusações que, no entanto, não são acompanhadas de provas, documentos ou dados concretos que as sustentem ao longo do texto.
O resultado oficial das urnas, homologado pelo TSE e reconhecido publicamente pelo próprio Partido Liberal (PL), legenda de Flávio, e pelo deputado Alfredo Gaspar, candidato a vice na chapa do senador, além de lideranças da comunidade internacional, enfraquece substancialmente a tese de fraude defendida na carta, uma vez que a margem de vitória de Lula — 3,58 pontos percentuais — é considerada clara e inequívoca por especialistas eleitorais e observadores internacionais que acompanharam o pleito.
Na carta, Flávio agradece nominalmente ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e ao presidente da Argentina, Javier Milei, pela acolhida dispensada a ele e à sua família, e anuncia a intenção de liderar a oposição ao governo Lula a partir do território americano, citando figuras históricas como Rui Barbosa, Charles de Gaulle e José Martí para legitimar sua permanência no exterior, embora analistas políticos avaliem que as comparações são frágeis dado que os contextos históricos de exílio desses personagens — regimes autoritários, ocupação militar estrangeira e dominação colonial — diferem radicalmente da situação de um senador que deixou o país após perder uma eleição democrática.
A correção do trecho mais explosivo da carta sugere que a equipe de Flávio Bolsonaro avaliou que a autoproclamação como “presidente eleito” poderia gerar isolamento político ainda maior do senador, tanto no cenário doméstico quanto no internacional, em um momento em que ele busca consolidar apoio dentro da bancada do PL e manter relevância como líder da oposição ao governo Lula a partir do território americano, encerrando o documento com a frase “Saí do Brasil, mas não abandonei os brasileiros”, que busca equilibrar a imagem de exilado político com a de protagonista ativo da resistência ao novo governo.