Em entrevista à Folha de S.Paulo, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) revelou que já comunicou ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, sua pretensão de concorrer a um cargo eletivo no próximo ciclo eleitoral. A declaração é o posicionamento mais direto do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro sobre seu futuro político desde a derrota no segundo turno da disputa presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A conversa com Tarcísio teve como pano de fundo a decisão do governador reeleito de reconhecer publicamente a vitória de Lula — postura que Flávio não endossa. “Eu não concordo, não sou obrigado a concordar com tudo que ele fala”, afirmou o senador, evidenciando fissuras dentro do campo da direita sobre como lidar com o resultado das urnas.
Questionado sobre a possibilidade de Tarcísio disputar a Presidência em 2030, Flávio respondeu que “todos podem se candidatar”, mas emendou que ele próprio também pretende entrar na corrida, desde que o PL concorde. A declaração sinaliza que a disputa pela liderança da oposição já começou a gerar atritos internos antes mesmo do próximo ciclo eleitoral.
Durante a entrevista, o senador voltou a levantar suspeitas sobre a lisura do processo eleitoral, embora não tenha apresentado evidências concretas que sustentem as alegações de fraude — uma narrativa que ele mantém desde a noite da apuração dos votos.
Um dos episódios mais controversos abordados foi a carta divulgada na semana anterior em que Flávio se autoproclamava “presidente eleito do Brasil”, publicada por aliados como o influenciador Paulo Figueiredo. O senador alegou que se tratava de uma versão preliminar do texto e disse não saber como ela veio a público.
Sobre sua permanência nos Estados Unidos, Flávio se recusou a detalhar o planejamento do voo que o levou ao país e afirmou que se manterá com recursos próprios, mas que precisará trabalhar “como todas as pessoas que vêm de fora”. Apesar da distância, garantiu que continuará exercendo o mandato de senador até o fim do período para o qual foi eleito.