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A bancada de oposição no Senado e a coordenação de campanha de Flávio Bolsonaro (PL) articulam estratégias para adiar a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala de trabalho 6×1. Nos bastidores, no entanto, líderes oposicionistas admitem que a proposta tem apoio suficiente para ser aprovada com folga caso seja colocada em votação no plenário, já que poucos parlamentares estariam dispostos a assumir o desgaste de votar contra um tema amplamente popular em pleno período eleitoral.
Para tentar adiar a decisão para depois das eleições, a estratégia traçada pelo líder da oposição, senador Rogério Marinho (PL-RN), será exigir o cumprimento rigoroso do regimento interno do Senado. O plano é utilizar exigências formais de prazos — como o intervalo obrigatório de cinco sessões de discussão entre o primeiro e o segundo turno de votação de uma PEC — sob o argumento público de que uma mudança estrutural na jornada de trabalho necessita de debates mais aprofundados com o setor produtivo.
O ambiente político no Senado, contudo, tornou-se amplamente favorável à aprovação da matéria após a recente reaproximação entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), que destravou a pauta do governo. Senadores governistas e independentes apontam que o texto conta com apoio expressivo de diferentes bancadas, lembrando que parlamentares do próprio PL já votaram majoritariamente a favor da proposta durante a tramitação na Câmara dos Deputados.
O avanço da medida ganhou ainda mais força com o posicionamento do relator na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), senador Omar Aziz (PSD-AM), que confirmou a entrega de um relatório favorável à redução da jornada. A previsão de Aziz é deixar o texto pronto para ser votado já na próxima semana, tanto na comissão quanto diretamente no plenário do Senado, aproveitando o esforço concentrado do Congresso antes do recesso informal para a campanha.
Paralelamente, o presidente Lula tem intensificado a pressão nas redes sociais em defesa da proposta, transformando o fim da escala 6×1 em uma das principais vitrines de sua gestão. O petista reforçou que a medida prevê mais tempo de convivência familiar, estudo e descanso para quem trabalha no comércio e nos serviços, sem que haja nenhuma redução nos salários, frisando que seu governo está empenhado em garantir a aprovação no Legislativo.
Além da PEC da jornada de trabalho, o Palácio do Planalto quer aproveitar a semana de votações no Senado para aprovar um pacote de matérias de grande apelo público e econômico. Entre as prioridades acordadas entre o governo e as lideranças partidárias estão a PEC da Segurança Pública, a Medida Provisória que extingue a cobrança da “taxa das blusinhas” em compras internacionais de até 50 dólares e o projeto de lei que regulamenta o marco de minerais críticos e terras raras no país.