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O Brasil encerrou esta quinta-feira (6) com dois alertas financeiros preocupantes. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, admitiu que a dívida pública cresceu mais de 10 pontos percentuais no atual governo e atingiu o maior nível desde 2021. Ao mesmo tempo, uma pesquisa da Confederação Nacional do Comércio (CNC) revelou que 82% das famílias brasileiras estão endividadas, o sexto recorde consecutivo e o maior nível da série histórica.
Para pagar suas dívidas antigas, o governo precisa emitir novos títulos públicos e vendê-los no mercado financeiro — processo chamado de rolagem da dívida. Nos últimos meses, porém, os investidores estão resistindo em comprar esses papéis, mesmo com juros reais de 8% ao ano. Analistas atribuem essa desconfiança ao aumento dos gastos públicos e ao alto endividamento, fatores que elevam a percepção de risco sobre a economia brasileira.
Durigan afirmou que, em um eventual novo mandato de Lula, o governo pretende controlar gastos e reduzir benefícios fiscais para equilibrar as contas. Ele também reconheceu que a taxa básica de juros, atualmente em 14% ao ano — a maior do mundo em termos reais — prejudica não só o governo, mas toda a economia. “Juro machuca muito a economia, não só o governo”, afirmou o ministro.
No campo das famílias, a situação também é preocupante. Segundo a CNC, o endividamento subiu pelo sexto mês seguido, puxado principalmente pelo cartão de crédito, financiamentos e empréstimos pessoais. Embora a inadimplência tenha caído levemente — de 29,9% para 29,8% —, 19% das famílias comprometem mais da metade da renda com o pagamento de dívidas, o maior nível desde março.
As famílias de menor renda são as mais afetadas. Entre as que ganham até três salários mínimos, 84,9% estão endividadas e a inadimplência subiu para 38,5%. A economista Carla Beni, da FGV, alerta que o cartão de crédito e a cultura do parcelamento são os principais vilões, levando muitas pessoas a comprometer boa parte do salário com parcelas acumuladas ao longo do tempo.
Para a CNC, há sinais positivos, como a leve queda na inadimplência — influenciada pelo programa Desenrola 2.0 — e o aumento da renda e do emprego. Mas o cenário exige cautela. Tanto para o governo quanto para as famílias, a saída passa pela redução dos juros, pelo equilíbrio das contas públicas e por um uso mais planejado do crédito no dia a dia.