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Democratas retomam Congresso dos EUA e freiam agenda de Trump; veja como a "onda azul" pode afetar o dólar e os juros no Brasil - Blog do Irmão Francisco


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Democratas retomam Congresso dos EUA e freiam agenda de Trump; veja como a “onda azul” pode afetar o dólar e os juros no Brasil

Os democratas venceram as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos e conquistaram a maioria tanto na Câmara dos Representantes (228 de 435 cadeiras) quanto no Senado (54 de 100), impondo uma derrota significativa ao presidente Donald Trump. A chamada “onda azul” significa que, pelos próximos dois anos, a oposição terá poder para bloquear propostas do governo, fiscalizar a gestão republicana e influenciar a aprovação de indicados para cargos estratégicos, como o banco central americano e a Suprema Corte.

A derrota republicana veio em meio a um cenário de forte impopularidade de Trump, rejeitado por 66% dos americanos segundo pesquisa Reuters/Ipsos. O principal motivo da insatisfação é o custo de vida: a gasolina ultrapassou US$ 4 por galão (cerca de R$ 21,77) e o diesel passou de US$ 6 por galão (cerca de R$ 32,66), encarecendo o transporte, a alimentação e os serviços em todo o país. Economistas avaliam que a insatisfação com os preços foi o motor decisivo da vitória democrata.

Para o Brasil, o impacto das midterms chega principalmente pelo canal dos juros e do dólar. Quando o governo americano gasta muito e aumenta o déficit público, os juros dos títulos do Tesouro sobem, atraindo investidores do mundo todo para os Estados Unidos e drenando recursos de países emergentes. Com os democratas no controle do Congresso, novas medidas de estímulo fiscal ficam mais difíceis de aprovar, o que pode aliviar a pressão sobre os juros americanos e tornar o Brasil mais atrativo para o capital estrangeiro.

Em tese, esse cenário favoreceria a entrada de dólares no Brasil, o fortalecimento do real e a queda das taxas de juros futuras, barateando o crédito para empresas e consumidores. No entanto, economistas alertam que brigas entre Trump e o Congresso democrata podem gerar instabilidade e volatilidade nos mercados globais, o que anularia parte desse efeito positivo. O resultado na bolsa também seria desigual: exportadoras poderiam se beneficiar de um dólar mais alto, mas perderiam com a eventual queda das commodities.

A relação entre Lula e Trump surge como um fator de risco adicional. Após a reeleição do petista, o mercado passou a precificar a possibilidade de novos atritos comerciais, como tarifas sobre produtos brasileiros e sanções baseadas na Lei Magnitsky. A vitória democrata pode dificultar novas investidas de Trump contra o Brasil, mas o presidente ainda dispõe de instrumentos legais como a Seção 232 (segurança nacional) e a Seção 301 (comércio desleal), que já foram usados contra o aço brasileiro e seguem válidos.

No curto prazo, o dólar voltou a operar na casa dos R$ 5,40 após as oscilações do período eleitoral brasileiro. Segundo o economista Gustavo Sung, da Suno Research, o real vinha na contramão das demais moedas emergentes, mas a vitória de Lula e a frustração das apostas do mercado empurraram a cotação para cima. Nos próximos meses, a trajetória da moeda vai depender tanto da nova configuração do Congresso americano quanto da capacidade de Lula e Trump de manterem uma relação minimamente estável entre os dois países.

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