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A pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (15) revelou um cenário de dupla pressão na corrida presidencial do segundo turno, com Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) empatados tecnicamente, mas com dinâmicas eleitorais distintas que podem definir o desfecho da disputa. O candidato do PL aparece numericamente à frente com 47% das intenções de voto, dois pontos abaixo dos 49% registrados na rodada anterior, enquanto o presidente petista permaneceu estacionado nos mesmos 45% do levantamento precedente, sem conseguir capitalizar o recuo do adversário.
O dado mais revelador da pesquisa está na destinação dos votos que Flávio Bolsonaro perdeu: ao contrário do que seria esperado em uma disputa polarizada, os dois pontos percentuais que saíram da coluna do candidato do PL não migraram para Lula, mas se dispersaram entre eleitores que agora declaram intenção de votar em branco ou anular o voto — fatia que subiu de 5% para 6% — e indecisos, que dobraram de 1% para 2%. Essa dinâmica indica que a estratégia petista de explorar o “medo da volta dos Bolsonaro” conseguiu desgastar o adversário, mas ainda não foi capaz de converter o eleitorado descontente em apoio efetivo ao presidente.
Nos votos válidos — cálculo que exclui brancos, nulos e indecisos e que efetivamente decide o resultado da eleição —, a vantagem de Flávio Bolsonaro encolheu pela metade. O candidato do PL recuou de 52% para 51%, enquanto Lula avançou de 48% para 49%, reduzindo a diferença de quatro para apenas dois pontos percentuais. O estreitamento mantém a disputa dentro da zona de empate técnico, mas preserva o filho do ex-presidente na liderança numérica, sustentado principalmente por sua vantagem consolidada nas regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste.
A campanha de Flávio Bolsonaro recebeu o resultado com otimismo cauteloso, destacando que o candidato do PL preservou sua dianteira nos três maiores colégios eleitorais do país fora do Nordeste. Interlocutores do senador avaliam que manter a vantagem no Sudeste — região que concentra o maior número de eleitores do Brasil — é condição indispensável para assegurar a vitória no segundo turno, e interpretam a oscilação de dois pontos como um movimento dentro da margem de erro, sem significado estrutural.
No lado petista, a leitura foi igualmente positiva, embora por razões distintas. A equipe de Lula celebrou o fato de que o crescimento contínuo de Flávio Bolsonaro nas últimas semanas foi finalmente estancado, e aposta que a partir deste fim de semana, com a intensificação da agenda de rua e a participação de aliados de peso nos palanques, o presidente começará a subir nas pesquisas. A avaliação interna é de que as manifestações recentes animaram a militância e criaram as condições para uma virada nos últimos dias de campanha.
O cenário desenhado pelo Datafolha aponta para uma eleição decidida por um eleitorado volátil e descontente, representado pelos 8% de brancos, nulos e indecisos que, juntos, superam a diferença de dois pontos entre os candidatos. Quem conseguir atrair mesmo uma fração desse contingente nos dias que restam até a votação terá vantagem decisiva, o que torna a reta final da campanha um campo de disputa por um eleitor que, até o momento, rejeita ambos os lados e pode ser o fiel da balança no desfecho mais apertado da história recente das eleições presidenciais brasileiras.