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O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, conversou por telefone com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, no domingo (08). Oficialmente, a conversa tratou sobre a viagem do presidente Lula a Washington para se reunir com Donald Trump. Porém, segundo fontes do governo ouvidas pela GloboNews, outro assunto importante entrou na pauta: evitar que os EUA classifiquem facções criminosas brasileiras como organizações terroristas.
O governo brasileiro está preocupado com a possibilidade de os Estados Unidos incluírem o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) na lista de Organizações Terroristas Estrangeiras. O PCC e o CV são as duas maiores facções criminosas do Brasil, conhecidas pelo envolvimento com tráfico de drogas, assassinatos e controle de presídios. Fontes ligadas ao governo Trump confirmam que a proposta está avançada e deve ser enviada ao Congresso americano nos próximos dias.
O temor do Brasil é que essa classificação sirva de justificativa para os Estados Unidos realizarem operações militares em território brasileiro. Isso porque a lei americana permite que o governo use força militar contra grupos classificados como terroristas estrangeiros, inclusive de forma unilateral, ou seja, sem precisar de autorização do país onde a ação aconteceria.
Esse receio aumentou depois que os Estados Unidos realizaram um ataque militar contra a Venezuela em janeiro deste ano. Na ocasião, forças americanas capturaram o presidente venezuelano Nicolás Maduro, que foi levado para julgamento em Nova York sob acusações de narcoterrorismo e tráfico de drogas. A ação foi possível porque os EUA haviam classificado o Cartel de los Soles, supostamente chefiado por Maduro, como organização terrorista.
Para uma organização ser classificada como terrorista pelos EUA, ela precisa cumprir três critérios: ser estrangeira, praticar atividades terroristas e representar ameaça à segurança de cidadãos ou aos interesses americanos. Uma vez classificado, o grupo passa a sofrer sanções financeiras, seus membros podem ser deportados e qualquer pessoa que forneça dinheiro, armas ou apoio pode ser presa nos Estados Unidos.
A visita de Lula a Trump ainda não tem data confirmada. A expectativa inicial era que ocorresse em março, mas problemas de agenda adiaram o encontro. Enquanto isso, o governo brasileiro trabalha nos bastidores para impedir que as facções criminosas sejam incluídas na lista de terroristas, temendo que isso abra precedentes para intervenções militares americanas na América do Sul.