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Brasil tem menor desemprego em 14 anos, mas vagas com carteira assinada param de crescer - Blog do Irmão Francisco


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Brasil tem menor desemprego em 14 anos, mas vagas com carteira assinada param de crescer

O Brasil encerrou o terceiro trimestre de 2026 com a menor taxa de desemprego para o período de julho a setembro desde 2012. Segundo o IBGE, o índice caiu para 5,2%, o que significa que, de cada 100 brasileiros em idade de trabalhar que estão procurando emprego, pouco mais de 5 não conseguiram uma vaga. O resultado é 0,4 ponto percentual melhor do que o registrado no mesmo período do ano passado, confirmando uma tendência de melhora que vem se consolidando nos últimos anos.

Em números absolutos, o país tinha 5,6 milhões de pessoas desempregadas ao final de setembro — 417 mil a menos do que um ano atrás. Na outra ponta, o número de brasileiros trabalhando bateu um recorde histórico: 103,6 milhões de pessoas, o maior contingente já registrado desde que o IBGE começou a fazer essa pesquisa, em 2012. Vale lembrar que o IBGE considera “ocupada” qualquer pessoa que tenha trabalhado pelo menos uma hora na semana, seja em um emprego fixo, um bico ou ajudando no negócio da família.

Os setores que mais puxaram esse crescimento foram a construção civil, que ganhou 210 mil trabalhadores no trimestre, e o setor público, que atingiu a marca recorde de 13,2 milhões de servidores. O número de empregadores — pessoas que têm o próprio negócio e contratam funcionários — também bateu recorde, chegando a 4,5 milhões, um sinal de que mais brasileiros estão abrindo empresas e gerando vagas para outras pessoas.

No entanto, nem tudo são boas notícias. O emprego com carteira assinada no setor privado, que garante direitos como férias, 13º salário e FGTS, ficou estagnado em 39,4 milhões de trabalhadores. Embora seja o maior número da série histórica, ele não cresceu em relação ao trimestre anterior nem na comparação com o ano passado, o que indica que as empresas formais simplesmente pararam de contratar no ritmo de antes.

Para o analista do IBGE William Kratochwill, a explicação mais provável para essa freada é a incerteza causada pelas eleições. Normalmente, o terceiro trimestre é a época em que as empresas começam a se preparar para o aumento das vendas no fim do ano e contratam mais. Em 2026, porém, muitos empresários preferiram esperar para ver o resultado das urnas antes de tomar decisões, o que tornou o aquecimento do mercado de trabalho mais tímido do que o habitual.

O cenário geral, portanto, é de otimismo com ressalvas. O Brasil tem menos gente desempregada e mais gente trabalhando do que em qualquer outro momento dos últimos 14 anos, o que ajuda a melhorar a renda das famílias e a movimentar a economia. O grande desafio daqui para frente é garantir que esses novos postos de trabalho venham acompanhados de carteira assinada e direitos trabalhistas — porque ter uma ocupação é importante, mas ter um emprego com qualidade e segurança faz toda a diferença na vida do trabalhador.

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