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A sabatina do advogado-geral da União, Jorge Messias, nesta quarta-feira (29), na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, transformou-se em um embate político de alta intensidade. O processo de aprovação do indicado de Lula ao Supremo Tribunal Federal (STF) foi marcado por articulações de bastidores, confronto entre governo e oposição e tensão dentro da própria base aliada.
Para ser aprovado, Messias precisa obter maioria simples entre os presentes na CCJ e, em seguida, alcançar pelo menos 41 votos favoráveis no plenário do Senado. Em ambas as etapas, a votação é secreta, o que torna o resultado imprevisível e aumenta a pressão sobre os parlamentares.
O cenário de disputa foi amplificado pela relação tensa entre o Planalto e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Quando Lula escolheu Messias em novembro de 2025, Alcolumbre ficou insatisfeito porque defendia o nome do senador Rodrigo Pacheco para a vaga. O mal-estar atrasou a tramitação e a sabatina só foi marcada meses depois.
Nos bastidores, Messias e Alcolumbre se encontraram na semana passada na casa do ministro Cristiano Zanin, em um encontro que contou também com a presença de Rodrigo Pacheco e Alexandre de Moraes. Aliados do governo interpretaram o gesto como aproximação, mas interlocutores de Alcolumbre afirmam que ele não se comprometeu com votos.
O presidente Lula trata a aprovação como questão pessoal e avalia que uma eventual rejeição só ocorreria por traição política de parlamentares da base aliada. O governo chegou a empenhar cerca de R$ 12 bilhões em emendas parlamentares às vésperas da sabatina, incluindo R$ 479 milhões destinados ao PL, principal partido de oposição.
A oposição foi para o confronto aberto. O senador Flávio Bolsonaro usou a sabatina para atacar o governo Lula e o ministro Alexandre de Moraes, criticando os julgamentos do 8 de janeiro, as condenações de apoiadores de Bolsonaro e o escândalo de fraudes no INSS. Messias respondeu com moderação, afirmando que o 8 de janeiro foi um dos episódios mais tristes da história recente e que temas como anistia cabem ao Congresso.
Em sua fala inicial, Messias adotou um discurso de equilíbrio e diálogo. Defendeu a colegialidade nas decisões do STF, ou seja, que as deliberações sejam tomadas coletivamente e não de forma individual pelos ministros. A postura foi interpretada como uma mensagem direta a senadores que criticam o protagonismo de alguns integrantes da Corte.
O indicado também elogiou publicamente tanto Rodrigo Pacheco quanto Davi Alcolumbre durante seu discurso, numa clara tentativa de suavizar os conflitos dos bastidores e ampliar o apoio entre senadores que poderiam estar indecisos.
Se aprovado, Messias será a terceira indicação de Lula ao STF neste mandato e a 11ª feita pelo petista ao longo de seus três governos. Com isso, Lula passará a ter cinco ministros indicados por ele em atividade na Corte, reforçando sua influência sobre as decisões da mais alta instância do Judiciário brasileiro.
A oposição enxerga exatamente nesse cenário o principal motivo para tentar barrar Messias. Bolsonaristas acreditam que, se a vaga ficar em aberto, um eventual presidente eleito pela direita em 2026 poderá indicar um nome mais alinhado ao grupo. Por isso, a votação desta quarta vai além da aprovação de um ministro — ela é, na prática, uma disputa pelo futuro do STF.
