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A Polícia Federal realizará nesta quinta-feira (16) uma reunião com representantes do Serviço de Imigração dos Estados Unidos (ICE) para entender as circunstâncias que levaram à soltura do ex-deputado federal Alexandre Ramagem. O Brasil não foi formalmente informado da libertação, que ocorreu na quarta-feira (15), pegando as autoridades brasileiras de surpresa.
Ramagem havia sido preso na segunda-feira (13) em Orlando, na Flórida, por questões migratórias. A reunião entre a PF e o ICE já estava agendada com o objetivo de manter Ramagem detido durante as negociações sobre sua deportação para o Brasil. No entanto, ele foi solto antes que o encontro acontecesse, às 14h52 pelo horário local, sem qualquer comunicação prévia às autoridades brasileiras.
O ex-parlamentar é considerado foragido da Justiça brasileira. Ele foi condenado pelo STF a 16 anos de prisão por usar a Abin, enquanto era seu diretor, para facilitar a tentativa de golpe de Estado que buscava manter Jair Bolsonaro no poder após a derrota nas eleições de 2022. Em setembro de 2024, Ramagem fugiu do Brasil de forma clandestina, cruzando a fronteira com a Guiana por Roraima com apoio de uma organização criminosa ligada ao garimpo ilegal.
Para tentar garantir o retorno de Ramagem ao Brasil, as autoridades estão preparando um relatório com informações e documentos que será entregue ao ERO, divisão americana responsável por deportações. Segundo os investigadores, se os argumentos forem aceitos, a deportação pode ser automática, sem necessidade de pedido formal específico.
O governo brasileiro também trabalha para impedir que Ramagem obtenha asilo político nos Estados Unidos, benefício que já foi solicitado pelo ex-parlamentar. Se concedido, ele poderia permanecer legalmente no país e escapar da pena de 16 anos no Brasil. As autoridades querem demonstrar que a condenação é resultado de um processo judicial legítimo, e não perseguição política.
O caso faz parte de um conjunto maior de investigações sobre a tentativa de golpe de Estado de 2022. A corrida contra o tempo das autoridades brasileiras mostra a dificuldade de trazer de volta um condenado que fugiu para outro país e agora busca proteção legal para não cumprir sua pena.