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O governador Carlos Brandão enfrenta o que sua defesa classifica como uma tentativa de golpe político disfarçada de ação judicial. O ministro Alexandre de Moraes, do STF, deve decidir nos próximos dias sobre um pedido de afastamento do governador, movido por aliados do ministro Flávio Dino. Em documento enviado ao Supremo na quarta-feira (25), os advogados de Brandão foram categóricos: todas as determinações judiciais foram cumpridas integralmente, e a tentativa de afastá-lo tem clara motivação eleitoral.
O caso envolve acusações de nepotismo que teriam sido cometidas no governo do Maranhão. Em 2024, o partido Solidariedade entrou com ação no STF alegando que parentes do governador ocupavam cargos públicos. Moraes determinou a demissão dessas pessoas, e a defesa de Brandão afirma que a ordem foi cumprida de forma integral e irrestrita. “O governador acatou todas as determinações”, garantiram os advogados, destacando que não há qualquer irregularidade por parte de Brandão.
O que chama atenção no caso é quem está por trás das acusações. O jornal O Estado de S. Paulo revelou que o partido Solidariedade, autor da ação, tinha forte ligação com o grupo de Flávio Dino. Um dos integrantes era o deputado Othelino Neto, casado com Ana Paula Lobato, que assumiu a vaga de Dino no Senado quando ele se tornou ministro do STF. A irmã de Othelino presidia o partido no Maranhão. Para a defesa de Brandão, fica evidente que a ação judicial é, na verdade, uma estratégia política para retomar o poder no estado.
A defesa do governador também aponta contradições no comportamento dos adversários. Enquanto tentam afastar Brandão, o grupo de Dino ignora acusações graves contra seus próprios aliados. O ex-procurador-geral do estado, Valdênio Caminha, revelou que assessores de Dino teriam acessado ilegalmente sistemas da Procuradoria estadual 130 vezes para repassar documentos ao escritório de advocacia que representa o Solidariedade no STF — uma possível atuação criminosa que, até agora, não recebeu a mesma atenção da Justiça.
O vice-governador Felipe Camarão, aliado de Dino e rompido com Brandão, também está sob investigação. Na semana passada, o Ministério Público pediu seu afastamento por suposto envolvimento em lavagem de dinheiro. Mesmo assim, o foco das acusações continua sendo o governador. Segundo interlocutores, Brandão chegou a desistir de concorrer ao Senado justamente para não passar o cargo ao vice, evitando que adversários assumissem o controle do estado por meio de manobras judiciais.
Para a defesa de Brandão, o que está em jogo não é o cumprimento da lei, mas sim uma disputa pelo poder. “A tentativa de afastar, por decisão judicial, o governador em meio a tal conjuntura política caracteriza evidente desvio de finalidade. Busca-se utilizar o processo como atalho para atingir objetivos de natureza político-eleitoral”, concluíram os advogados. O governador segue no cargo e aguarda que a Justiça reconheça que não há qualquer irregularidade de sua parte.
(Fonte: Portal Estadão).