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Professores no Brasil gastam, em média, mais de 20% do tempo de aula apenas para manter a disciplina, segundo a nova edição da Pesquisa Internacional sobre Ensino e Aprendizagem (Talis), divulgada pela OCDE nesta segunda-feira (6). O índice supera a média internacional de 16% e revela o desafio crescente de manter a atenção dos alunos em sala.
Mais da metade dos docentes brasileiros relataram barulho e desordem constantes, proporção que é mais que o dobro da média mundial. Além disso, 43% afirmam perder tempo esperando os alunos se acalmarem, enquanto quase metade sofre interrupções frequentes durante as aulas.
A pesquisa também mostra o baixo reconhecimento social da profissão: apenas 14% dos professores acreditam ser valorizados pela sociedade — bem abaixo da média da OCDE, de 22%. Outro dado preocupante é que 47% relatam ter sido intimidados ou insultados por alunos, quase o dobro do observado em outros países.
Segundo o coordenador de políticas docentes do Movimento Profissão Docente, Caetano Siqueira, a falta de valorização está ligada às más condições de trabalho, salários baixos e jornadas fragmentadas — 72% dos professores brasileiros atuam em mais de uma escola. Ele defende carga horária integral e dedicação exclusiva como medidas essenciais para fortalecer a carreira docente e melhorar o aprendizado dos alunos.
A pesquisa foi realizada em 55 países e contou com a participação de 280 mil professores e diretores, incluindo profissionais de 200 escolas brasileiras. No país, o levantamento foi conduzido pelo Inep, com dados coletados entre junho e julho de 2024.