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O governador eleito do Tocantins, Vicentinho Júnior (PSDB), anunciou nesta terça-feira (3) o nome de Alfredo Júnior (Republicanos) para comandar a Secretaria das Cidades a partir de 2027. Empresário e suplente de deputado federal com 48.253 votos na última eleição, Alfredo é irmão do político maranhense Eduardo DP e trocou de lado na reta final do segundo turno, deixando o grupo da senadora Professora Dorinha (União Brasil) para apoiar Vicentinho.
A nomeação chama a atenção porque a família do novo secretário já mantém negócios com o governo tocantinense. Eduardo DP é sócio de uma empresa que integra o Consórcio Rodotins, contratado pela Ageto (Agência Tocantinense de Transportes e Obras) para conservar rodovias estaduais. A situação se torna ainda mais delicada porque a Ageto deverá ser incorporada à nova Secretaria de Infraestrutura, cujo titular será Clayton Noleto — político maranhense que recebeu apoio de Eduardo DP na campanha de 2022.
O histórico judicial de Alfredo Júnior também levanta questionamentos. Em 2015, ele foi preso pela Polícia Federal na Operação Imperador, que investigava um esquema de agiotagem e fraudes em licitações no município de Dom Pedro, no Maranhão. Na mesma operação, também foram detidos o irmão Eduardo DP e a mãe de ambos, a ex-prefeita Maria Arlene Barros. É importante ressaltar que prisão em operação policial não equivale a condenação definitiva.
A Secretaria das Cidades é uma pasta estratégica do governo estadual, responsável por políticas de habitação, saneamento básico e desenvolvimento urbano em todos os municípios do Tocantins. A escolha de Alfredo Júnior para o cargo coloca Vicentinho Júnior diante do desafio de equilibrar as alianças políticas construídas durante a campanha com a necessidade de manter a credibilidade da gestão perante a opinião pública.
A rede de relações entre a família e o governo tocantinense cria uma situação de potencial conflito de interesses, já que decisões tomadas pelo novo secretário podem impactar diretamente contratos dos quais a empresa de seu irmão é parte. A concentração de influência de um mesmo grupo familiar em diferentes esferas do poder estadual é um dos pontos que devem ser acompanhados de perto pela sociedade e pelos órgãos de controle.
Até o momento, a equipe de transição de Vicentinho Júnior não se pronunciou sobre os questionamentos relacionados aos vínculos empresariais da família com o governo nem sobre o histórico da Operação Imperador. A posse do novo secretariado está prevista para janeiro de 2027, e a expectativa é que a gestão eleita esclareça como pretende lidar com essas questões para garantir transparência e evitar favorecimentos.