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Brasil se aproxima de 1 milhão de presos e enfrenta crise de superlotação nas prisões

O Brasil pode atingir a marca de 1 milhão de pessoas presas até 2027, caso o ritmo de crescimento da população carcerária continue no mesmo nível dos últimos anos. O dado consta na edição 2026 do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

Em 2025, o país registrou 964.668 pessoas privadas de liberdade, somando presos em penitenciárias e delegacias. O número cresceu 6% em relação ao ano anterior e representa um aumento de 314,5% desde o ano 2000.

O sistema prisional, no entanto, não acompanhou esse crescimento. Com apenas 679.763 vagas disponíveis, o déficit ultrapassa 281 mil vagas. A superlotação compromete o acesso a direitos básicos e dificulta a reintegração social dos detentos.

Cerca de um em cada quatro presos ainda aguarda julgamento, o que agrava o problema da superlotação e revela um desequilíbrio entre a capacidade de prender e a de julgar os processos em tempo adequado.

O relatório também registra recordes preocupantes. O número de mulheres encarceradas chegou a 57.222, o maior desde 2016, com crescimento de 43,7% em dez anos. Além disso, as mortes no sistema prisional cresceram 241% na última década, com 3.318 óbitos registrados apenas em 2025.

A situação da infraestrutura também preocupa. Quase 70% dos presídios não possuem estrutura adaptada para pessoas com deficiência, e apenas 21,6% dos detentos participam de programas de trabalho ou atividades para reintegração social.

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